Yves e as Gatinhas

4 12 2008

Yves gostava de animais e de namorar. E por conta disso, ele tinha uma das manias mais estranhas que alguém poderia ter.

        

A cada namoro que se terminava, ele comprava uma gata e, automaticamente, colocava o nome da ex-amante na sua nova mascote. Durante todos esses anos de namoros e gatas, Yves colecionava um número invejável de namoradas e por tabela, de felinos.

 

Ana, Paola, Guta, Thais, Jaqueline, Luka e por aí vai. Yves fazia questão de comprar uma gata nova a cada namoro que infelizmente não dava certo. A mania era tão intensa, mas tão intensa, que Yves procurava gatas com as mesmas características físicas de suas namoradas.

 

A Nanda, por exemplo, ganhou uma gata da mesma cor que o seu cabelo: vermelho. A Olívia ganhou uma gata que como ela, pecava na forma física. Era notavelmente redonda. E preguiçosa.

 

Yves, sempre depois de ser chamado de maluco, dizia:

 

                  – É uma forma de eu me lembrar de cada amor que passou pelo meu coração. Cuido delas como cuidava de minhas namoradinhas.

 

E a turma inteira caía na gargalhada coletiva.

 

Não preciso nem dizer que algumas ex-namoradas de Yves não gostavam da mania do rapaz, mas algumas até se simpatizaram com a situação.

 

A Paulinha, que se tornou uma ótima amiga de Yves, sempre vai a casa dele para dar um oi na sua respectiva gatinha. Com olhos azuis como ela.

 

E um belo dia, como sempre fez, Yves começou um novo namoro: Daniela.

Baixinha, loira que dava raiva e falante como nenhuma outra.

 

O começo foi ótimo. Tudo era festa, romance e troca de caricias. Mas com o tempo, a Dani começou a se incomodar com a quantidade de namoradas que Yves guardava em sua casa.

 

                  – Yves, você tem que dar um jeito nisso. Estou começando a me incomodar.

                  – Por que amor? Elas fazem parte do passado.

                  – Mas Yves, como você quer que eu me sinta, se quando eu vou te chupar, a Mariana vem lamber meu pé?

                  – Eu só namorei a Mariana dois meses Danizinha.

                  – Mesmo assim Yves. Eu vou ao banheiro, a Luiza fica me olhando. Tomo banho, a Taty entra no Box. Vou comer alguma coisa, tenho que dividir com a Julia.

                  – Esquece isso Dani, vem cá vem.

 

E quando a Dani parecia ter se esquecido de todas elas e destilava um beijo em seu namorado, a Giuliana saía do quarto com a blusa da Dani na boca. Sorte que ela não viu.

 

Mas um dia pela amanhã, aconteceu aquilo o que a Dani não iria suportar. E não suportou.

 

Em uma fuga pela janela, Roberta, a mais antiga de todas as namoradas de Yves foi impiedosamente atropelada por um caminhão.  Ele não se agüentou: chorou por 3 dias e 3 noites sem parar, não conseguia nem parar para a transada matinal.

 

Daniela, não acreditava que aquela tristeza toda era pela gata e por questão disso, terminou com o Yves:

 

                   – Olha Yves, infelizmente acho que o seu chororô todo é devido à Roberta e não pela gata. Não consigo suportar isso. Não consigo dividir o namorado com mais outras vinte e poucas amantes em forma de bicho.

 

E Dani foi embora para nunca mais voltar. Mas o que ela descobriu mais tarde foi que essa atitude fez, finalmente, o Yves parar de chorar.

 

Depois que a Dani saiu pela porta, ele pegou o carro e foi até o centro de zoonoses da cidade para escolher uma nova moradora. Yves pegou a gata mais amarela de todas e que ao mesmo tempo era a menor e curiosamente, a que mais miava.

 

Ao entrar em casa:

                   – Seja Bem Vinda Daniela!

 

Yves parou de chorar na hora. E dizem que até hoje, nunca mais chorou.

 

No iPod toca: O Anjo Mais Velho – O Teatro Mágico

O tempo lá fora é de: sol bem bonito.

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Eu comi a Julia Roberts

14 11 2008

Quando foi para aquele cruzeiro no Caribe junto com os colegas do escritório, Sandrinho nem imaginava o que poderia acontecer. Em uma festa no navio, foi difícil de acreditar: às duas horas da madrugada ele estava nu e atracado com a Julia Roberts.

 

Isso mesmo, Julia Roberts, celebridade de Hollywood em um momento de solteirice aguda pagou uma bebida a ele e o convidou para subir até a sua cabine. E foi lá onde tudo aconteceu: tomaram banho juntos, comeram juntos, beberam juntos e transaram loucamente.

 

         – Meu Deus, a Julia Roberts! Pensava Sandrinho logo após sair da cabine da atriz.

 

Infelizmente era a última noite da viagem e na manhã seguinte todos desembarcaram em Miami para voltarem cada um para o seu país. Sandrinho não encontrou mais o seu romance mais ilustre.

 

Ele até tentou segurar, mas não agüentou. No meio da viagem de volta, desabafou:

 

         – Zé, vou te falar um negócio, você me conhece. Não sou de mentir.

         – Fala cara.

         – Ontem à noite, na festa do navio, você reparou que eu sumi um tempo?

         – Não cara, estava pegando a colombiana. Você não viu?

         – Não, não. Mas enfim, eu estava na cabine da Julia Roberts.

         – Hahahaha, sei.

         – É sério. Ela estava no cruzeiro todo o tempo e ontem na balada, me pagou um Dry Martini e me chamou para subir.

         – Sei.

         – Você está sendo irônico?

         – Claro! Como você quer que eu acredite em uma história dessas?

         – Eu juro Zé! Eu comi a Julia Roberts.

         – E eu a Dilma Roussef. Como sou azarado né?

         – Pô Zé, to falando sério.

         – Eu também pô!

 

Nesse mesmo instante, irritado, Sandrinho virou pro lado e tentou pegar no sono. Lembrando da Julia, ó doce Julia.

 

Já no Brasil, marcou uma cerveja com os amigos da faculdade. Desconfiado, não resistiu:

 

         – E aí Jeca, beleza?

         – Beleza Sandrinho, como que foi o cruzeiro cara?

         – Foi bem legal cara. Viu, eu tenho uma coisa pra te contar de lá. Algo inacreditável.

         – Manda!

         – Eu comi a Julia Roberts, na última noite do cruzeiro.

         – O quê?

         – Ela pintou na balada, me pagou uma bebida e me convidou pra subir.

         – A Julia Roberts?

         – A Julia Roberts!

         – E ela se masturbou com o Oscar dela?

         – Como assim cara?

         – Pô Sandrinho, você não quer que eu acredite nessa história né?

         – Pô Jeca, é sério!

         – Desculpa Sandrinho, não dá pra acreditar.

         – Que raiva cara, to falando sério: eu comi a Julia Roberts!

         – Foto?

         – Não.

         – Bilhete de despedida?

         – Não.

         – Nem um chupão?

         – Não.

         – Pelo menos o boquete dela é gostoso?

         – É cara.

         – Hahahaha, Sandrinho, acho que a maresia te fez enlouquecer.

         – Eu te juro cara, eu comi a Julia Roberts.

         – Tá bom cara. Tá bom. Bom, eu vou lá comprar uma cerveja e pagar um drink para a Sandra Bullock, olha ela ali. Quem sabe ela não me dá também?

 

Depois de sair enfurecido do bar, após toda a turma e inclusive os funcionários do boteco souberem da história e ficarem a noite inteira sacaneando o rapaz, Sandrinho foi embora com uma única convicção na cabeça:

 

         – Juro que não vou contar essa história para mais ninguém.

 

E resmungou para si próprio:

        

         – Que merda Sandro. Nem uma foto porra? Nem uma mísera foto para comprovar a história? Que merda, como você foi estúpido.

 

O tempo passou e Sandrinho ficou conhecido como o homem que comeu a Julia Roberts. Inclusive começaram a chamá-lo de Sandro Roberts.

 

Mas dois anos depois, em uma divulgação pelo Brasil de um novo filme seu, Julia liga:

 

         – Hi, Sandro? Remember me?

 

O conteúdo da ligação não vale a pena ser contado por aqui. Mas é importante dizer que Sandro negou o convite para uma noite e nada mais no hotel que a celebridade estava hospedada. E negou o convite de uma forma pra lá de estúpida.

 

Ele estava cansado de ser sacaneado.

 

No iPod toca: Lobo Mau – Roberto Carlos

O tempo lá fora é de: sol bem gostoso.





Brad Pitt

13 11 2008

– Amor, fala a verdade você me acha bonito?

– Claro Rogério, se não achasse nem me casaria com você.

– Mas você acha quanto?

– Te acho lindo amor.

– Mas você me trairia?

– Que pergunta é essa Rogério? Tá em crise agora?

– Perguntar não ofende Juliana. Você me trairia?

– Nem se o Brad Pitt aparecesse pelado aqui na frente.

– Como assim Juliana?

– Nem se o Brad Pitt aparecesse pelado na nossa frente, eu trairia você.

– Mas por que o Brad Pitt?

– Porque o Brad Pitt é a Gisele Bündchen versão masculina Rogério.

– O que o Brad Pitt tem que eu não tenho Juliana?

– Olha Rogério, você está fazendo perguntas complicadas hoje. Já são duas horas da manhã, você não quer ir dormir?

– Não, perdi o sono. Agora quero saber qual a razão do Brad Pitt ser melhor do que eu.

– Eu não disse isso Rô. Eu não disse isso.

– Mas deu a entender Juliana.

– Olha Rô, quando era solteira e tinha 15 anos eu sonhava com o Brad Pitt, hoje eu sonho com você.

– E com ele também Juliana, afinal foi o primeiro nome que veio na sua cabeça.

– Só foi um exemplo Rogério, você está me irritando.

– Agora estou até com medo daquela sua viagem que você fez para Los Angeles com a sua mãe.

– Por que Rogério?

– Vai que você encontrou o Brad Pitt por lá. Você não se agüentaria.

– Hahahaha, Rogério. Você está ficando louco.

– Traído pelo Brad Pitt, eu não acredito, traído pelo Brad Pitt.

         – Você está começando a me ofender.

         – Eu tenho que sentir orgulho disso?

         – Disso o quê?

         – Dos meus chifres serem feitos pelo Brad Pitt. Afinal ele é um astro.

         – Chega Rogério. Vou pra sala.

         – Vai lá. Aposto que vai ligar no canal de filme e torcer para que esteja passando um com o Brad Pitt.

         – Você está louco Rogério. Vai esfriar essa sua cabeça vai.

 

Rogério foi esfriar a cabeça no banho e depois dormiu. E mal ele sabe o quão bem escondido está o telefone do John Kingston. Um figurante de terceira classe de Hollywood que encontrou Juliana em Los Angeles.

 

E ela não se agüentou.

 

No iPod toca: In Blue Hawaii – Brian Wilson

O tempo lá fora é de: sol pela tarde.





Espaço JG Número 6 – Texto Pouco Objetivo I

31 10 2008

Sexta-feira, começo do querido final de semana, aquele clima gostoso, dia de pirata no Muito Horrorshow!

 

Boa leitura a todos!

 

No iPod toca: Easy – Faith No More

O tempo lá fora é de: friozinho pela tarde.

 

Texto Pouco Objetivo I

Por João Guilherme Pires

 

Premissa 1 – A Natureza é perfeita.
Ou, pelo menos, é isso que ouvimos por aí, certo? Amebas, nematelmintos, cordados, todos os seres, juntos, unidos nessa missão complicada que é sobreviver. Um produz oxigênio, outro gás carbônico, um come planta, outro come o que come planta. Um equilíbrio perfeito.

Premissa 2 – O homem faz parte da Natureza.
Isso você também já sabe. Afinal, os fósseis de Adão e Eva nunca foram encontrados. E a única serpente nessa história é a que ficava no meio das pernas do homo-erectus. Aliás, como ele ficava erectus com tanto pêlo e sem nem um sutiãzinho pra segurar a onda, não sei. Bom que ficou, senão eu não existiria. Fez-se o homo sapiens, via seleção natural e algumas baladas nas cavernas, e aqui estamos. Natureza pura.

Paradoxo 1 – Natureza Perfeita x Homem Imperfeito
Ok, temos a Natureza perfeita. O homem faz parte dela. Agora, e esse lance degradação do meio ambiente, escassez de recursos naturais, superpopulação e coisa e tal? Quer dizer, somos uma espécie agressora ao próprio ambiente que nos gerou. “Putz! Eu sou um tumorzinho safado, é isso?!”. Se for assim, os grandes desastres naturais podem ser os anticorpos hein, hein?

Plágio 1 – Isso já foi dito antes.
Eu sei. Inclusive tem um mano, James Lovelock, que afirma: o planeta é um ser vivo chamado Gaia. Bem que parece mesmo uma célula, diz aí? Agora, por que Gaia e não Mesquita ou Toni? Vou pesquisar. Depois.

Hipótese 1 – Somos apenas enzimas?
Se o Sr. Lovelock estiver certo todos nós que pertencemos a esse monstrão chamado Terra formos apenas partes específicas desse ser, eu e você somos, tipo, uma enzima! Sim, com papel, funções e razões específicas para existir. Por exemplo: eu faço anúncios com uma gostosa bebendo cerveja e coloco no bar. Aí o garotão vê e pensa que tomando aquela cerveja pode pegar uma gostosa daquelas. E, depois de algumas, acha a gordinha da mesa do lado uma gostosa daquelas. Logo lá estão eles perpetuando a espécie e, quem sabe, em 9 meses nasça uma enziminha. 

Choque e Indignação 1 – Ok, sou uma enzima, o que eu faço agora?
Nada! Continue vivendo sua vida, meu caro. Não importa o que escolher, você não é tão livre assim: há sempre um papel a ser cumprido no organismo. Fique na boa, economize água, polua menos, conheça enzimas diferentes, seja bom com as enzimas mais próximas, cuide da sua saúde enzimática, treine bastante para a hora de se multplicar. Aliás, interessadas, podem escrever para: enzima_sarada22x18@hotmail.com

 





Espaço JG Número 5 – Curtas I

30 10 2008

Sexta-feira passada eu estava impossibilitado de atualizar o blog, sendo assim o Espaço JG ficou ausente. Mas o texto dos últimos sete dias é este aqui que irei postar agora e, amanhã, voltaremos com a programação normal!

 

Obrigado pela compreensão e boa leitura!

 

Brandão – Muito Horrorshow!

 

No iPod toca: Donde Estas Corazon – Shakira

O tempo fora é de: muito gostoso.

Curtas I

Por João Guilherme Pires

–    Meu, cê num sabe quem eu peguei ontem!
–    Fala aí!
–    Lu-a-na Pi-o-va-ni.
–    Quê?
–    É malandro!
–    Como assim? Onde?
–    Numa festa de casamento.
–    Casamento de quem?
–    Dela e do Dado Dolabella.
–    Não brinca!
–    É, foi no finalzinho, eles já tinham terminado.

 

 

 





Espaço JG Número 4 – Culpa dos Chineses

17 10 2008

Sexta-feira, América do sul, céu azul, 40 graus, dia de pirata no Muito Horrorshow!

Boa leitura a todos!

 

Beijos,

Brandão – Muito Horrorshow!

 

No iPod toca: Warehouse – Dave Mattews & Tim Reynolds

O tempo lá fora é de: bem agradável.

 

A Culpa dos Chineses

Por João Guilherme Pires

 

Em 2089, resolveram culpar os chineses por toda essa zona de meio ambiente, escassez de recursos e aquecimento global.- Coisa de americano! -, diziam os alto representantes comunistas, alegando que tudo não passava de propaganda do Tio Sam.
O argumento era: tinha tanto chinês no mundo, que desequilibrou o sistema. E era tamanha a gana de crescer e se tornar a maior potência global, que o que já era ruim ficou terrível. Efeito estufa, derretimento das geleiras, extinção dos pandas, poluição dos oceanos. Tudo culpa deles.
Solução proposta: matar chineses. Simples assim. E não é que o resto do mundo concordou? Tudo bem, não é a primeira vez que uma galera se dispõe a matar outra galera indiscriminadamente e ainda achar que tá com a razão. Mas acreditávamos estar num estágio mais avançado da civilização.

Agora, legal mesmo foi quando as empresas começaram a apoiar essa idéia. Pois é, sustentabilidade, responsabilidade social. Nosso futuro começa hoje. Aquele papo.E veio a propaganda, claro: “O Banco do Planeta, é aquele que, dia após dia, trabalha para eliminar um chinês e um problema da sua vida.” “Para realizar nossos sonhos, é preciso começar agora. E você, já matou seu chinês hoje?” “Porque você sabe, nós da Empresa Tal, já pensávamos em você quando você nem existia. E há 20 anos, já matávamos milhares de chineses, só pra você viver melhor.”

Mas o engraçado é que, apesar de matar chineses, também contratavam. Claro, eles eram imprescindíveis na tarefa de elaborar as milhões de malas diretas que as empresas enviavam diariamente para pessoas que nem eram clientes. “Mão de obra barata.”, dizia o pessoal do RH. “Prospectar é fundamental para o nosso negócio.”, dizia o pessoal do Marketing. Para compensar, falavam que o papel dos materiais era feito com sangue de chineses, para preservar os recursos naturais do planeta.

Anos mais tarde e já não havia mais chineses. Alguns apenas em zoológicos ou empalhados em museus. Mas nada da situação climática e ecológica do planeta melhorar.

Vieram novos estudos e, pronto, descobriram que tinham errado o diagnóstico. Na verdade, o problema mesmo era a flatulência dos bilhões de gados que eram criados para alimentar um mundo de gente querendo carne.

E o Banco do Planeta, a Empresa Tal e todos os CEOs, como não tinham mais chineses para fazer os anúncios, nem dinheiro para contratar tanta mão de obra, pediram para as empresas, por um custo bem menor, fazer só uma mudancinha:

– Onde tiver escrito “chineses”, favor trocar por “gado”. Ok? Qq dúvida me liguem.    Obrigado. Abs.

 





Espaço JG Número 3 – Conto Infantil I

10 10 2008

Hoje o blog vai ficar um pouco mais parado. Estou indo para Piracicaba tocar com minha banda, os Devotos da Álvaro Alvim. Volto com posts no final de semana, ou ao mais tardar na segundona.

 

Mas como hoje é sexta-feira, é dia de Pirata no Muito Horrorshow!

Tenham todos uma ótima leitura.

 

Valeu!

Brandão – Muito Horrorshow!

 

No iPod toca: Back in The USSR – Paul McCartney

O tempo lá fora é de: calor gostoso.

 

 

Conto Infantil I

Por João Guilherme Pires

 

 

Há muito tempo, num castelo encantado em um jardim distante, vivia um Guaxinim. Mas não era um Guaxinim qualquer: ele possuia incríveis poderes mágicos e tinha um defeito. Era muito desastrado.

 

 

Um dia, o Guaxinim saiu, bem de manhãzinha, para encontrar seus amigos e brincar. Primeiro veio o Sabiá Amarelo, que lhe cumprimentou com um sorriso e lhe deu um doce de ameixa.

 

 

– Obrigado Seu Sabia, como você sabia que este era meu doce predileto?

 

 

O sabiá não respondeu, e saiu voando após limpar suas asas e deixar algumas encomendas no Correio Real.

 

 

Depois disso, foi a vez de Lulu, a Rocha Surpresa. Ela era uma criatura fantástica, que sempre trazia alguma novidade aos moradores do reino.

 

 

– Olá Dona Rocha Surpresa, como vai a senhora hoje?

 

 

Mas dessa vez ela não respondeu, porque estava concentrada adestrando sua criação de pequenos pedregulhos.

 

 

O Guaxinim sentiu que aquele seria um dia diferente, já que ninguém lhe dava atenção. Ele então sentou e chorou.

 

 

– Buuuuu, Buuuuu.

 

 

Foi assim que, depois de algumas horas, o mago Artur Silveira apareceu, levando o pequeno Guaxinim para casa e tirando-lhe as amigdalas inflamadas.

 

 

Depois disso, o Guaxinim nunca mais chorou.

 

 

Fim.