Espaço JG Número 6 – Texto Pouco Objetivo I

31 10 2008

Sexta-feira, começo do querido final de semana, aquele clima gostoso, dia de pirata no Muito Horrorshow!

 

Boa leitura a todos!

 

No iPod toca: Easy – Faith No More

O tempo lá fora é de: friozinho pela tarde.

 

Texto Pouco Objetivo I

Por João Guilherme Pires

 

Premissa 1 – A Natureza é perfeita.
Ou, pelo menos, é isso que ouvimos por aí, certo? Amebas, nematelmintos, cordados, todos os seres, juntos, unidos nessa missão complicada que é sobreviver. Um produz oxigênio, outro gás carbônico, um come planta, outro come o que come planta. Um equilíbrio perfeito.

Premissa 2 – O homem faz parte da Natureza.
Isso você também já sabe. Afinal, os fósseis de Adão e Eva nunca foram encontrados. E a única serpente nessa história é a que ficava no meio das pernas do homo-erectus. Aliás, como ele ficava erectus com tanto pêlo e sem nem um sutiãzinho pra segurar a onda, não sei. Bom que ficou, senão eu não existiria. Fez-se o homo sapiens, via seleção natural e algumas baladas nas cavernas, e aqui estamos. Natureza pura.

Paradoxo 1 – Natureza Perfeita x Homem Imperfeito
Ok, temos a Natureza perfeita. O homem faz parte dela. Agora, e esse lance degradação do meio ambiente, escassez de recursos naturais, superpopulação e coisa e tal? Quer dizer, somos uma espécie agressora ao próprio ambiente que nos gerou. “Putz! Eu sou um tumorzinho safado, é isso?!”. Se for assim, os grandes desastres naturais podem ser os anticorpos hein, hein?

Plágio 1 – Isso já foi dito antes.
Eu sei. Inclusive tem um mano, James Lovelock, que afirma: o planeta é um ser vivo chamado Gaia. Bem que parece mesmo uma célula, diz aí? Agora, por que Gaia e não Mesquita ou Toni? Vou pesquisar. Depois.

Hipótese 1 – Somos apenas enzimas?
Se o Sr. Lovelock estiver certo todos nós que pertencemos a esse monstrão chamado Terra formos apenas partes específicas desse ser, eu e você somos, tipo, uma enzima! Sim, com papel, funções e razões específicas para existir. Por exemplo: eu faço anúncios com uma gostosa bebendo cerveja e coloco no bar. Aí o garotão vê e pensa que tomando aquela cerveja pode pegar uma gostosa daquelas. E, depois de algumas, acha a gordinha da mesa do lado uma gostosa daquelas. Logo lá estão eles perpetuando a espécie e, quem sabe, em 9 meses nasça uma enziminha. 

Choque e Indignação 1 – Ok, sou uma enzima, o que eu faço agora?
Nada! Continue vivendo sua vida, meu caro. Não importa o que escolher, você não é tão livre assim: há sempre um papel a ser cumprido no organismo. Fique na boa, economize água, polua menos, conheça enzimas diferentes, seja bom com as enzimas mais próximas, cuide da sua saúde enzimática, treine bastante para a hora de se multplicar. Aliás, interessadas, podem escrever para: enzima_sarada22x18@hotmail.com

 

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Espaço JG Número 5 – Curtas I

30 10 2008

Sexta-feira passada eu estava impossibilitado de atualizar o blog, sendo assim o Espaço JG ficou ausente. Mas o texto dos últimos sete dias é este aqui que irei postar agora e, amanhã, voltaremos com a programação normal!

 

Obrigado pela compreensão e boa leitura!

 

Brandão – Muito Horrorshow!

 

No iPod toca: Donde Estas Corazon – Shakira

O tempo fora é de: muito gostoso.

Curtas I

Por João Guilherme Pires

–    Meu, cê num sabe quem eu peguei ontem!
–    Fala aí!
–    Lu-a-na Pi-o-va-ni.
–    Quê?
–    É malandro!
–    Como assim? Onde?
–    Numa festa de casamento.
–    Casamento de quem?
–    Dela e do Dado Dolabella.
–    Não brinca!
–    É, foi no finalzinho, eles já tinham terminado.

 

 

 





Espaço JG Número 4 – Culpa dos Chineses

17 10 2008

Sexta-feira, América do sul, céu azul, 40 graus, dia de pirata no Muito Horrorshow!

Boa leitura a todos!

 

Beijos,

Brandão – Muito Horrorshow!

 

No iPod toca: Warehouse – Dave Mattews & Tim Reynolds

O tempo lá fora é de: bem agradável.

 

A Culpa dos Chineses

Por João Guilherme Pires

 

Em 2089, resolveram culpar os chineses por toda essa zona de meio ambiente, escassez de recursos e aquecimento global.- Coisa de americano! -, diziam os alto representantes comunistas, alegando que tudo não passava de propaganda do Tio Sam.
O argumento era: tinha tanto chinês no mundo, que desequilibrou o sistema. E era tamanha a gana de crescer e se tornar a maior potência global, que o que já era ruim ficou terrível. Efeito estufa, derretimento das geleiras, extinção dos pandas, poluição dos oceanos. Tudo culpa deles.
Solução proposta: matar chineses. Simples assim. E não é que o resto do mundo concordou? Tudo bem, não é a primeira vez que uma galera se dispõe a matar outra galera indiscriminadamente e ainda achar que tá com a razão. Mas acreditávamos estar num estágio mais avançado da civilização.

Agora, legal mesmo foi quando as empresas começaram a apoiar essa idéia. Pois é, sustentabilidade, responsabilidade social. Nosso futuro começa hoje. Aquele papo.E veio a propaganda, claro: “O Banco do Planeta, é aquele que, dia após dia, trabalha para eliminar um chinês e um problema da sua vida.” “Para realizar nossos sonhos, é preciso começar agora. E você, já matou seu chinês hoje?” “Porque você sabe, nós da Empresa Tal, já pensávamos em você quando você nem existia. E há 20 anos, já matávamos milhares de chineses, só pra você viver melhor.”

Mas o engraçado é que, apesar de matar chineses, também contratavam. Claro, eles eram imprescindíveis na tarefa de elaborar as milhões de malas diretas que as empresas enviavam diariamente para pessoas que nem eram clientes. “Mão de obra barata.”, dizia o pessoal do RH. “Prospectar é fundamental para o nosso negócio.”, dizia o pessoal do Marketing. Para compensar, falavam que o papel dos materiais era feito com sangue de chineses, para preservar os recursos naturais do planeta.

Anos mais tarde e já não havia mais chineses. Alguns apenas em zoológicos ou empalhados em museus. Mas nada da situação climática e ecológica do planeta melhorar.

Vieram novos estudos e, pronto, descobriram que tinham errado o diagnóstico. Na verdade, o problema mesmo era a flatulência dos bilhões de gados que eram criados para alimentar um mundo de gente querendo carne.

E o Banco do Planeta, a Empresa Tal e todos os CEOs, como não tinham mais chineses para fazer os anúncios, nem dinheiro para contratar tanta mão de obra, pediram para as empresas, por um custo bem menor, fazer só uma mudancinha:

– Onde tiver escrito “chineses”, favor trocar por “gado”. Ok? Qq dúvida me liguem.    Obrigado. Abs.

 





Espaço JG Número 3 – Conto Infantil I

10 10 2008

Hoje o blog vai ficar um pouco mais parado. Estou indo para Piracicaba tocar com minha banda, os Devotos da Álvaro Alvim. Volto com posts no final de semana, ou ao mais tardar na segundona.

 

Mas como hoje é sexta-feira, é dia de Pirata no Muito Horrorshow!

Tenham todos uma ótima leitura.

 

Valeu!

Brandão – Muito Horrorshow!

 

No iPod toca: Back in The USSR – Paul McCartney

O tempo lá fora é de: calor gostoso.

 

 

Conto Infantil I

Por João Guilherme Pires

 

 

Há muito tempo, num castelo encantado em um jardim distante, vivia um Guaxinim. Mas não era um Guaxinim qualquer: ele possuia incríveis poderes mágicos e tinha um defeito. Era muito desastrado.

 

 

Um dia, o Guaxinim saiu, bem de manhãzinha, para encontrar seus amigos e brincar. Primeiro veio o Sabiá Amarelo, que lhe cumprimentou com um sorriso e lhe deu um doce de ameixa.

 

 

– Obrigado Seu Sabia, como você sabia que este era meu doce predileto?

 

 

O sabiá não respondeu, e saiu voando após limpar suas asas e deixar algumas encomendas no Correio Real.

 

 

Depois disso, foi a vez de Lulu, a Rocha Surpresa. Ela era uma criatura fantástica, que sempre trazia alguma novidade aos moradores do reino.

 

 

– Olá Dona Rocha Surpresa, como vai a senhora hoje?

 

 

Mas dessa vez ela não respondeu, porque estava concentrada adestrando sua criação de pequenos pedregulhos.

 

 

O Guaxinim sentiu que aquele seria um dia diferente, já que ninguém lhe dava atenção. Ele então sentou e chorou.

 

 

– Buuuuu, Buuuuu.

 

 

Foi assim que, depois de algumas horas, o mago Artur Silveira apareceu, levando o pequeno Guaxinim para casa e tirando-lhe as amigdalas inflamadas.

 

 

Depois disso, o Guaxinim nunca mais chorou.

 

 

Fim.

 





Espaço JG Número 2 – Conversa de Lounge

3 10 2008

Hoje é sexta-feira, ou seja, dia de Espaço JG.

Aproveitem e tenham todos um ótimo final de semana.

 

Valeu!

Brandão – Muito Horrorshow

 

No iPod toca: É Proibido Fumar – Roberto Carlos

O tempo lá fora é de: Calor

 

CONVERSA DE LOUNGE

Por João Guilherme Pires

 

Estavam os 4 amigos num bar de clima intimista, decoração art-noveau e chope correto:
– E ontem? Vocês viram?
– De lavada hein! Vergonhoso!
– Relaxa, ano que vêm tem mais!
– Quero ver! Esse ano foi feio! Só bola fora!
– Melhor que vocês, nem lá chegaram!
– Por pouco!
– Não chegaram!
– Ano passado foi inteirinho nosso! Ganhamos tudo!
– Pois é, mas este ano…
– Este ano a imprensa até elogiou o elenco! Pena que na reta final…
– Pipocaram!
– Roubaram a gente!
– Sei!
– Todo mundo sabe!
– Enfim, morreram na praia.
– Também, com aquela camisa laranja.
– Quê que tem?!
– Coisa mais 70 meu! Alegrinha, fluorescente, já foi!
– Eu lembro quando o laranja estava no auge…
– Pô, isso foi há tanto tempo cara! Na época o Tufi Duek ainda era M.Officer. Aquela sim. Eu lembro daquele ano. Não tinha pra ninguém.
– Tufi Duek era uma farsa. Também só pipocava! Quando o dele tava na reta, já saía fora, foi assim na Triton, na Ellus, hoje nem sei onde ele tá.
– Na Hering.
– Só quer dinheiro! Ninguém tem mais amor ao collant. Quem der mais leva.
– É verdade. E quando chega a hora de representar o pais lá fora, é aquela palhaçada.
– Já não é a mesma coisa.
– Nunca esqueço da GAP de 1984: Dani, Fabi, Lívia e Nanda no Verão, Gigi, Jú e Carol na Primavera, a dupla Sandrinha e Vivi no Outono e, pra fechar, Roberta, Carlinha e mais uma loirinha, que vivia cheirando…
– A Fernandinha!
– Isso!
– Luxuosa!
– Um desbunde.
– Quem era o estilista mesmo?
– Não lembro. Mas lembro que, em 85…
De repente a conversa foi interrompida por ela, Glória Gaynor, diretamente de um aparelho celular:
– É o meu?
– Alô!
– Alôu!
– É o seu?
– Alôoo.
– É o meu gente.
– Alô, oi, certo…tá, calma, to saindo já, to com eles, é amor, com o pessoal: Marquinhos, Dudu e o Fê. Tá. Outro. Tchau.
– Patrão?
– Pois é, bom pessoal, tá na minha hora. Senão, lá em casa já viu né

 





Espaço JG Número 1 – O Grande Colisor de Hadrons

26 09 2008

Salve rapaziada.

No começo do Muito Horrorshow, um dos meus projetos iniciais era ter escritores convidados para colaborar e participar do blog.

Depois de um ano de postagens, parece que isso finalmente vai acontecer.

A partir de hoje (se tudo correr bem), em todas as sextas-feiras, o meu amigo pirata Jonis (www.jonis.carbonmade.com) irá destilar palavras por aqui. Não sei o tema, o estilo e o tamanho. Isso irá caber totalmente a ele, a criação é livre!

Aproveitem e tenham todos uma ótima leitura! E lembrem-se: toda sexta-feira é dia de pirata. Uma boa pedida para você começar o seu final de semana.

Beijos,

Brandão – Muito Horrorshow!

No iPod toca: Cadilac – Roberto Carlos

O tempo lá fora é de: frio.

Lá vai:

O Grande Colisor de Hadrons

por João Guilherme Pires

E não é que ele funcionou?

E não é, também, que os pessimistas estavam certos? Pois é. Duas décadas de espera, bilhões de dólares em investimento, era a primeira vez que o homem estava realmente próximo de desvendar os mistérios do surgimento do Universo. E, num instante, estava tudo acabado.

As chances eram ínfimas, tipo como ganhar na Mega Sena, diziam os cientistas. Só que sempre tem neguinho que ganha na Mega Sena. E aqui, novamente, a improbabilidade se confirmou. Criamos o tal do buraco negro que engoliu a Terra.

Imagina então como foi, no mesmo milionésimo de segundo, 6 bilhões de almas chegando para fazer o check-in no Céu.

Filas, desordem, indignação. “Que tipo de Paraíso é esse!”. “A gente paga o dízimo em dia, colabora com a Campanha do Agasalho, faz tudo direitinho, pra isso?”. “Isso é um absurdo! Chamem as autoridades!”. Tinha até uns irlandeses detidos por tumultuar a área dos banheiros querendo dar uma mijada.

Bom, de Deus então nem se fala. Estava fulo da vida. E, pior, nem tinha em quem descontar. Nada de dilúvio, pestes, pragas, nada disso. Todos estavam mortos. Nem preciso dizer que, depois de declarar estado de alerta, convocou uma reunião de emergência.

– Mas que porra é essa?
– Senhor, é que…como vou dizer…enfim, os homens acabaram com a Terra. – disse o Ministro da Habitação Celeste num tom seco.
– Eu sei.
– Eles construíram uma parada sinistra aí, querendo descobrir a razão de tudo e o mistério da vida.
– Isso eu também sei.
– E aí que foi feixe de próton pra tudo quanto é lado, energia aqui, massa ali e pum: criaram um buraco negro que engoliu a Terra.
– Meu querido eu sei de tudo. Quero saber é: por que ninguém fez nada?
– Senhor, o tal Colisor era na Suíça.
– Idaí?
– Os chocolates de lá são os seus preferidos.
– Estou cercado de incompetentes!
– Pegaram a gente de surpresa também.
– E a moçada do Apocalipse? Era só causar uma revelação, um sinal do Juízo Final pra não deixar neguinho apertar o botão pô!
– Bem que tentamos. Mas o Fome tá num job na África, o Guerra tá num projeto no Iraque, o Morte não atendeu o celular.
– E o Violência?
– Ta de férias no Rio
– Bilhões de anos jogados no lixo! Agora me fala, vou ter que fazer de novo? Sete dias ralando, fazendo plantinha, riozinho, montainha, cêis acham que eu num tenho o que fazer?
– É, falha nossa.
– Vão todos para o Inferno!
– Lá também está lotado, Senhor.
– Aaaaaaargh!

Mas eis que a reunião é interrompida por um rapaz barbudo, cabelão, trajes bem largos – uma alma hippie talvez? -, que entrou na sala. Sem bater.

– Pai!
– Que?
– Relaxa, eu tenho uma versão aqui em back-up. Foi pouco depois da virada pra 2000. Não sabia se você ia querer miar o planeta e tal.
– Você salvou?
– Salvei.
– Boa filhão!
– Outra coisa, me empresta o carro?
– Ok, mas põe gasolina.
– Multiplico o restinho da reserva.
– Tá.

Demorou alguns séculos, mas a situação acabou se organizando. Claro que ainda há ajustes a serem feitos no Sistema Público do Céu, principalmente na área de Lazer – são trilhões de almas sem absolutamente nada para fazer durante a eternidade. “As coisas estão melhorando”, dizem eles. Normal. A Esperança morreu por último, mas morreu também.

E dizem que Higgs, o dono do Bóson que deveria ser encontrado, foi visto num decadente boteco celeste, completamente embriagado e balbuciando:
– Não fui eu, não fui eu.