Yves gostava de animais e de namorar. E por conta disso, ele tinha uma das manias mais estranhas que alguém poderia ter.
A cada namoro que se terminava, ele comprava uma gata e, automaticamente, colocava o nome da ex-amante na sua nova mascote. Durante todos esses anos de namoros e gatas, Yves colecionava um número invejável de namoradas e por tabela, de felinos.
Ana, Paola, Guta, Thais, Jaqueline, Luka e por aí vai. Yves fazia questão de comprar uma gata nova a cada namoro que infelizmente não dava certo. A mania era tão intensa, mas tão intensa, que Yves procurava gatas com as mesmas características físicas de suas namoradas.
A Nanda, por exemplo, ganhou uma gata da mesma cor que o seu cabelo: vermelho. A Olívia ganhou uma gata que como ela, pecava na forma física. Era notavelmente redonda. E preguiçosa.
Yves, sempre depois de ser chamado de maluco, dizia:
- É uma forma de eu me lembrar de cada amor que passou pelo meu coração. Cuido delas como cuidava de minhas namoradinhas.
E a turma inteira caía na gargalhada coletiva.
Não preciso nem dizer que algumas ex-namoradas de Yves não gostavam da mania do rapaz, mas algumas até se simpatizaram com a situação.
A Paulinha, que se tornou uma ótima amiga de Yves, sempre vai a casa dele para dar um oi na sua respectiva gatinha. Com olhos azuis como ela.
E um belo dia, como sempre fez, Yves começou um novo namoro: Daniela.
Baixinha, loira que dava raiva e falante como nenhuma outra.
O começo foi ótimo. Tudo era festa, romance e troca de caricias. Mas com o tempo, a Dani começou a se incomodar com a quantidade de namoradas que Yves guardava em sua casa.
- Yves, você tem que dar um jeito nisso. Estou começando a me incomodar.
- Por que amor? Elas fazem parte do passado.
- Mas Yves, como você quer que eu me sinta, se quando eu vou te chupar, a Mariana vem lamber meu pé?
- Eu só namorei a Mariana dois meses Danizinha.
- Mesmo assim Yves. Eu vou ao banheiro, a Luiza fica me olhando. Tomo banho, a Taty entra no Box. Vou comer alguma coisa, tenho que dividir com a Julia.
- Esquece isso Dani, vem cá vem.
E quando a Dani parecia ter se esquecido de todas elas e destilava um beijo em seu namorado, a Giuliana saía do quarto com a blusa da Dani na boca. Sorte que ela não viu.
Mas um dia pela amanhã, aconteceu aquilo o que a Dani não iria suportar. E não suportou.
Em uma fuga pela janela, Roberta, a mais antiga de todas as namoradas de Yves foi impiedosamente atropelada por um caminhão. Ele não se agüentou: chorou por 3 dias e 3 noites sem parar, não conseguia nem parar para a transada matinal.
Daniela, não acreditava que aquela tristeza toda era pela gata e por questão disso, terminou com o Yves:
- Olha Yves, infelizmente acho que o seu chororô todo é devido à Roberta e não pela gata. Não consigo suportar isso. Não consigo dividir o namorado com mais outras vinte e poucas amantes em forma de bicho.
E Dani foi embora para nunca mais voltar. Mas o que ela descobriu mais tarde foi que essa atitude fez, finalmente, o Yves parar de chorar.
Depois que a Dani saiu pela porta, ele pegou o carro e foi até o centro de zoonoses da cidade para escolher uma nova moradora. Yves pegou a gata mais amarela de todas e que ao mesmo tempo era a menor e curiosamente, a que mais miava.
Ao entrar em casa:
- Seja Bem Vinda Daniela!
Yves parou de chorar na hora. E dizem que até hoje, nunca mais chorou.
No iPod toca: O Anjo Mais Velho – O Teatro Mágico
O tempo lá fora é de: sol bem bonito.